domingo, 23 de março de 2014

No dia primeiro do próximo mês fará 50 anos do Golpe de 1964, hoje começo a primeira parte para contar um pouco de como foi aquela época e o que aconteceu entre 1964 e 1985.

Nos anos 1960 o mundo estava divido entre Capitalistas, liderados pelos Estados Unidos e Socialistas, liderados pela União Soviética, era a chamada Guerra Fria. Depois de Che Guevara e Fidel Castro terem ficado à frente de um grupo de guerrilheiros em 1959 que tomou o poder e alinhou-se à União Soviética, os EUA ficaram enfurecidos e começaram a apoiar os grupos dos setores civil  e militar mais conservadores nos países da América Latina.

Entre 1956 e 1961 o Presidente Juscelino Kubitschek investiu num crescimento econômico em que havia o “modelo de substituição de importações” que, desde os anos 1930, havia possibilitado um crescimento industrial do Brasil, através da produção, no próprio país, de bens antes comprados no exterior.

Como essa época acabou, necessitávamos de achar um meio de continuarmos crescendo, encontrando numa reorganização econômica e social que beneficiasse as elites e o capital estrangeiro em detrimento das camadas mais pobres. Aumentaram-se a dívida externa, as desigualdades sociais e a estagflação (diminuição das atividades econômicas e aumento do desemprego).

Por causa das desigualdades sociais e do crescimento econômico em detrimento dos pobres, movimentos sociais começaram a pressionar, como a Central dos Trabalhadores e as Ligas Camponesas, essas que defendiam uma reforma agrária. Com medo de que o comunismo se espalhasse e o Brasil imitasse a Revolução Cubana, a Ditadura Militar foi implantada, contando com o apoio dos Estados Unidos.

João Goulart foi Ministro do Trabalho na segunda presidência de Getúlio Vargas, ele apoiou os sindicatos, não reprimiu greves e propôs um aumento do salário mínimo de 100%. Foi demitido por pressões militares e tomou a posse da Presidência em 1961 quando Jânio Quadros renunciou ao cargo, por pressão dos esquerdistas (também foi vice-presidente de Juscelino K. e na época visitou a China comunista e a União Soviética).

Logo depois da posse, João Goulart introduziu uma emenda constitucional tornando o Brasil parlamentarista, ou seja, quem “mandaria” no país seria um primeiro-ministro. O parlamentarismo durou três anos, apresentando, sucessivamente, Tancredo Neves, Brochado da Rocha e Hermes Lima. Querendo reaver os poderes de um presidente como era antes, Goulart realizou um plebiscito em 1963 e a maioria dos eleitores optou pela volta do presidencialismo.

João Goulart ora era favorável aos direitistas, ora era favorável aos esquerdistas. Ao fim de seu mandato inclinou-se para a esquerda e propôs uma Reforma de Base – reforma agrária, reforma educacional, reforma urbana, limite nas remessas dos lucros das empresas multinacionais, etc. Os conservadores desconfiados aumentaram suas articulações, através de várias entidades, sobretudo a grande imprensa que noticiou o “caos” no país e a crise econômica e de “moralidade” e o clima de “agitação, anarquia e comunização”. Além da imprensa, eles contaram com a ajuda de militares, embaixada americana, Igreja, imprensa, OAB, empresários, latifundiários, classe média e mesmo populares, todos começaram a orquestrar a queda de Jango.

Depois que Jango assinou o decreto da reforma agrária diante de 350 mil pessoas e as Reformas de Base começaram os direitistas organizaram a Passeata da Família com Deus pela Liberdade, em protesto contra a “expansão do comunismo ateu no Brasil”. Outras dessas passeatas aconteceram.

Após esse episódio, houve um protesto que ficou conhecido por Rebelião dos Marinheiros, contra a prisão do cabo José Anselmo que, ilegalmente, tentou organizar um sindicato dos marinheiros. A manifestação havia sido proibida e a não punição dos participantes feriu uma das coisas mais valorizadas pelos militares, a obediência à hierarquia.

Quatro dias depois houve uma reunião de sargentos aonde alguns deles foram homenageados por suas participações na Rebelião dos Marinheiros e Jango aproveitou para reafirmar, num discurso, a pretensão de prosseguir com as Reformas de Base. Se antes alguns conservadores tinham dúvidas sobre a necessidade de uma intervenção militar, após o decreto da reforma agrária e o discurso sobre as Reformas de Base, essas dúvidas não mais existiam.
 
Por enquanto é isso, nos próximos dias publicarei o restante.
Até mais!
Jango
 

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