Nos anos 1960 o mundo estava divido entre Capitalistas, liderados pelos Estados Unidos e Socialistas, liderados pela União Soviética, era a chamada Guerra Fria. Depois de Che Guevara e Fidel Castro terem ficado à frente de um grupo de guerrilheiros em 1959 que tomou o poder e alinhou-se à União Soviética, os EUA ficaram enfurecidos e começaram a apoiar os grupos dos setores civil e militar mais conservadores nos países da América Latina.
Entre 1956 e 1961 o
Presidente Juscelino Kubitschek investiu num crescimento econômico em que havia
o “modelo de substituição de importações” que, desde os anos 1930, havia
possibilitado um crescimento industrial do Brasil, através da produção, no
próprio país, de bens antes comprados no exterior.
Como essa época acabou, necessitávamos
de achar um meio de continuarmos crescendo, encontrando numa reorganização
econômica e social que beneficiasse as elites e o capital estrangeiro em
detrimento das camadas mais pobres. Aumentaram-se a dívida externa, as
desigualdades sociais e a estagflação (diminuição das atividades econômicas e
aumento do desemprego).
Por causa das desigualdades
sociais e do crescimento econômico em detrimento dos pobres, movimentos sociais
começaram a pressionar, como a Central dos Trabalhadores e as Ligas Camponesas,
essas que defendiam uma reforma agrária. Com medo de que o comunismo se
espalhasse e o Brasil imitasse a Revolução Cubana, a Ditadura Militar foi
implantada, contando com o apoio dos Estados Unidos.
João Goulart foi Ministro do
Trabalho na segunda presidência de Getúlio Vargas, ele apoiou os sindicatos,
não reprimiu greves e propôs um aumento do salário mínimo de 100%. Foi demitido
por pressões militares e tomou a posse da Presidência em 1961 quando Jânio
Quadros renunciou ao cargo, por pressão dos esquerdistas (também foi
vice-presidente de Juscelino K. e na época visitou a China comunista e a União
Soviética).
Logo depois da posse, João
Goulart introduziu uma emenda constitucional tornando o Brasil parlamentarista,
ou seja, quem “mandaria” no país seria um primeiro-ministro. O
parlamentarismo durou três anos, apresentando, sucessivamente, Tancredo Neves,
Brochado da Rocha e Hermes Lima. Querendo reaver os poderes de um presidente
como era antes, Goulart realizou um plebiscito em 1963 e a maioria dos
eleitores optou pela volta do presidencialismo.
João Goulart ora era
favorável aos direitistas, ora era favorável aos esquerdistas. Ao fim de seu
mandato inclinou-se para a esquerda e propôs uma Reforma de Base – reforma
agrária, reforma educacional, reforma urbana, limite nas remessas dos lucros
das empresas multinacionais, etc. Os conservadores desconfiados aumentaram suas
articulações, através de várias entidades, sobretudo a grande imprensa que
noticiou o “caos” no país e a crise econômica e de “moralidade” e o clima de
“agitação, anarquia e comunização”. Além da imprensa, eles contaram com a ajuda
de militares, embaixada americana, Igreja, imprensa, OAB, empresários,
latifundiários, classe média e mesmo populares, todos começaram a orquestrar a
queda de Jango.
Depois que Jango assinou o
decreto da reforma agrária diante de 350 mil pessoas e as Reformas de Base
começaram os direitistas organizaram a Passeata da Família com Deus pela
Liberdade, em protesto contra a “expansão do comunismo ateu no Brasil”. Outras
dessas passeatas aconteceram.
Após esse episódio, houve um protesto que ficou conhecido
por Rebelião dos Marinheiros, contra a prisão do cabo José Anselmo que,
ilegalmente, tentou organizar um sindicato dos marinheiros. A manifestação
havia sido proibida e a não punição dos participantes feriu uma das coisas mais
valorizadas pelos militares, a obediência à hierarquia.
Quatro dias depois houve uma
reunião de sargentos aonde alguns deles foram homenageados por suas
participações na Rebelião dos Marinheiros e Jango aproveitou para reafirmar,
num discurso, a pretensão de prosseguir com as Reformas de Base. Se antes
alguns conservadores tinham dúvidas sobre a necessidade de uma intervenção
militar, após o decreto da reforma agrária e o discurso sobre as Reformas de
Base, essas dúvidas não mais existiam.
Por enquanto é isso, nos próximos dias publicarei o restante.
Até mais!
Jango
